viva a minissaia, viva a cerveja!

Tinha programado um post bem bonito com dicas de passeios gostosinhos em São Paulo, mas há algum tempo evito falar de um assunto que não para de aparecer nas nossas caras.

Para a galera do Recife, só se fala em outra coisa desde sábado: dois premiados e adorados cineastas pernambucanos protagonizaram um episódio do machismo velado e arraigado que carregamos em nós diariamente. Nós? Sim, me incluo porque a vida é aprendizado.

Cláudio Assis e Lírio Ferreira são duas personagens que vagam pela noite recifense com um andar cambaleante desde sempre. Mas a cachaça é sempre a desculpa, uma bela de uma bengala para esconder os desrespeitos que comentem. Afinal, quem esqueceu de outro pernambucano, Ortinho, que mandou os ”macho darem dedada nas meninas” e depois se desculpou porque estava ébrio? Já vi de tudo nesse mundo, mas nunca vi cerveja obrigar alguém a ser o que não se é.

Poderia falar mais sobre cada episódio e como eles são absurdos por tantas outras razões. Mas hoje eu tou aqui pra falar de machismo, porque ele existe e é ainda mais perigoso quando está camuflado. Seja de ”brodagem”, de ”amor”, de ”bebice” de ”brincadeira”. Lá vem a feminazi? Ai que patrulha? Machismo é coisa de feminista? Ok, venha conversar comigo quando o seu companheiro te proibir de dançar numa festinha porque você se comporta como uma vagabunda.

Ou quando um amigo seu te chamar de ”queijuda” porque você não quer transar com ele. Ou quando um cara que você nem conhece vai tentar te beijar à força e você vai ouvir de uma outra mulher: ”mas também você pediu, né? indo pra festa com aquela roupa”… Ou até mesmo quando sua mãe pedir para você se sentar ”como uma mocinha”.

Todos esses exemplos aconteceram ou comigo ou com amigas próximas e a coisa mais comum a se fazer é calar. A gente cala quando o cara na rua chama de gostosa, cala quando o namorado age de forma abusiva, cala quando rola uma piadinha machista na firma. Cala até o dia que não dá mais para segurar o grito. E a esperança é que o grito venha em todas nós, mais cedo ou mais tarde. Assim como nos nossos amigos, companheiros e colegas de trabalho.

O machismo existe e está no nosso dia-a-dia em  muitos momentos, quando a gente nem imaginava. Aquele amigo descolado que faz sex tape escondido e compartilha com os brother. Aquele cara que posta sobre direitos humanos no facebook, mas chega em casa e controla com quem a esposa está conversando no whatsapp. Aquela chefe, mesmo mulher, que confia mais no teu colega homem pra determinada função. E para cada exemplo dado, tem uma mulher que sofre, que chora no banheiro, que se reprime, que se diminui diante do mundo, que não sabe quem procurar, que prefere achar que é normal. E acha tão normal, que até quando apanha do rapaz já tem a desculpa pronta, já se convenceu de que a mentira é a versão real. Foi a maçaneta. Ele me ama, nunca vai fazer isso de novo.

Precisamos parar de cultivar esse monstro, que está mais perto do que imaginamos. Vamos ser mais patrulha, vamos parar de colocar a culpa em saias curtas ou na querida cachaça.

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