pode entrar, 2016

Não, esse não vai ser mais um projeto inacabado. E para provar isso, cá estou eu na primeira semana útil do ano ressuscitando este querido bloguinho. Claro que está todo mundo na praia, sem internet e ninguém vai ler, mas é uma missão pessoal mesmo.

Do fim de novembro pra cá, aconteceram várias coisas na minha vida que ressignificaram esse ano que passou. Muitas delas poderiam ter sido compartilhadas por aqui, mas eu precisei deixar para depois. Fazendo a culta, eu me senti um pouco Van Gogh escrevendo para o irmão Théo:

“O que para os pássaros é a muda, a época em trocam de plumagem, a adversidade ou o infortúnio, os tempos difíceis, são para nós, seres humanos. Podemos permanecer neste tempo de muda, podemos também deixá-lo como que renovados, mas de qualquer forma isso não se faz em público, é pouco divertido, e por isto convém eclipsar-se”.

Na realidade, não foi nenhum período de infortúnio, mas foi de introspecção.

Entrei em 2015 com o coração aberto, estreando meu primeiro ano em São Paulo, mas sem muitas expectativas. Já vinha passando por anos conturbados e cheios de emoções que eram 2013 e 2014 e pisei em 2015 pendido paz. Pois parece que os astros, deuses, entidades me atenderam. Mesmo com o turbilhão de mudanças, com as loucuras todas acontecendo no país, parecia que eu estava bem distante, só observando, sem me entregar tanto. Na paz. Pedi tanto a calmaria, que ela chegou e eu achei estranha pra caramba! Para uma ariana com ascendente em áries, é difícil existir em meio a pouco movimento.

Até agora não sei dizer se o ano foi bom ou ruim. Ele foi normal, com coisas boas e coisas ruins, assim como a vida adulta. Tem aquele dia que chegar em casa e cozinhar abobrinha e abrir um vinho, conversando com as migas é uma grande aventura. Tem outros em que seu crédito do bilhete único acaba, você não tem dinheiro e a máquina que aceita débito no metrô está quebrada. São pequenos acontecimentos que constroem o dia e que constroem os anos. O mar fica mais calmo, mas ainda tem pequenas ondas que mudam as conchas de lugar.

Faz muito tempo que eu não escrevo listas e metas nem nada. As reflexões acontecem sempre, mas tenho colocado pouca coisa no papel. Então, para este ano, resolvi fazer um apanhado de acontecimentos de 2015 e de metas para 2016. (Claro que não coloquei tudo porque tem coisas bem pessoais nas listinhas hehe). Mas ta aí embaixo, espero aparecer bem muito por aqui esse ano, agradeço desde já pela companhia 🙂

RETROSPECTIVA 2015

Consegui me virar morando sozinha: e essa foi uma das coisas mais gostosas. Cultivar a própria casa, saber que você é responsável por cada garfo, cada calcinha e cada almofada. Que aquele espaço é seu e reflete tanto do seu estado de espírito. Que você agora escolhe o que come e precisa prestar atenção para não queimar tantas panelas assim.

Comecei uma pós-graduação: numa área completamente diferente da minha e que está sendo bem desafiadora.

Conheci Paraty: a cidade mais linda e charmosa do mundo, cheia de energia boa. E melhor do que conhecê-la, eu voltei para lá em uma outra viagem completamente impulsiva. (quero mais impulsos desse em 2016)

Mudei de quarto 3 vezes na mesma casa: e pintei os 3 de azul. Sim, não faz nenhum sentido. Mas é que os quartos são de tamanhos diferente e faz um pouco de diferença e parece que eu gosto de fazer mudança. Foi quase brincar de War na vida real.

Comecei a correr em provas: eu sempre curti exercícios, mas nunca achei que era possível correr. Em 2015 descobri que sou capaz e em 2016 espero descobrir que sou ainda mais capaz. Hehe

Matei todas as plantas da casa: inclusive dois cactos que a princípio são ”super fáceis de cuidar”.

Fiz coisas das quais me orgulho no trabalho: é o que faz o dia-a-dia valer a pena né?

Organizei um bazar: !!!!! acho que essa foi uma das coisas mais legais dos últimos meses de 2015. Organizei um bazar com a Rafa que mora comigo e foi um sucesso. Vendemos todas as peças, fizemos parcerias e até saímos no jornal. Mas eu prometo dar todos os detalhes aqui dessa empreitada.

METAS PARA 2016

Escrever semanalmente no blog: simmm!! Essa é a primeira meta e vai ser cumprida, pelo amor de jah! Também quero bolar umas novas sessões e coisinhas legais pra cá.

Ter plantas: depois de uma reportagem que fiz sobre hortas urbanas estou muito decidida que planta é a melhor terapia do mundo. Quero ter horta, quero pegar minhoca e quero não matar mais cactos 😦

Ficar menos no celular: essa vai ser punk de cumprir.

Conhecer lugares novos: pode ser um café na esquina, uma cidade, um país. E essa, aliás, já comecei a realizar na primeira segunda-feira útil do ano,  quando convenci uns colegas de trabalho a tomarem café num lugar super fofo na esquina da firma ❤

Ter mais paciência: inclusive comigo

Comer melhor e me mexer mais: porque a gente virou bicha evoluída e não vai mais colocar ”quero perder 3kg esse ano” nas resoluções. A meta agora é ser mais saudável, comer menos industrializados, ter prazer diariamente com atividades físicas

Ler mais: minha vida literária tem sido uma grande vergonha. Tenho abandonado muitos livros, demorado meses para acabar um título e isso me deixa bem chateada. Então esse ano não vai ter desculpa e eu também quero sempre fazer uma ”resenha” dos livros lidos, para me lembrar no futuro.

Viver no presente: comer comendo, conversar conversando, estar estando. Não remoer o passado e sofrer com o futuro. Meu maior projeto de 2016 vai ser o #focanopresente

 

 

One thought on “pode entrar, 2016

  1. Assim como 2016, entrei no seu blog e me deparei com uma prosa deliciosa de ler.

    Parece que estamos diante de uma narrativa familiar, conhecida. Um pouco de nós ou de alguém que apreciamos.
    Tem uma vida real tão pulsante em cada linha!

    Particularmente gosto disso de retrospectiva, o que conseguimos fazer e o que não. Avaliar os equívocos, o que não aconteceu a contento e o porquê do “no show”, o que foi possível implementar, dá uma leveza tão grande… Gosto das listinhas também, parece que nos aproxima mais do real. As metas um, quatro e cinco, também são minhas. 🙂

    Analisar a própria vida (e os erros) nos liberta da nossa (auto)opressão e das tantas cobranças que algumas vezes nos imputamos.
    E só quem tem consciência da sua devida humanidade, consegue levar a vida com suavidade, e ter um olhar cheio de compaixão e delicadeza com as demais criaturas.

    Um feliz 2016 para ti (e que consigas cumprir as metas possíveis!)

    😉

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