é pra comer ou pra beber?

Ai ai, pessoal. Sabe como tá difícil de engrenar qualquer promessa em 2016, inclusive a de manter este blog atualizado, né? O que raios está acontecendo com esse ano do macaco? Ou sou só eu que ainda estou acordando meio carneirinha?

Mas bem, para tentar dar um jeito no marasmo, eu e minha amiga linda Gianni, do Maré de Wannaberesolvemos criar um desafio para se forçar a postar em nossos blogs empoeirados. Assim, ficamos as duas se cobrando e se enrolando juntas e tentando criar conteúdos legais para vocês que ainda acreditam no nosso potencial.

Nas próximas 5 semanas, então, teremos sempre um post com um tema que escolhemos pra escrever juntas. Segura o tchan porque vem ai o #umquartodemaré ❤
E o primeiro tema longamente deliberado por nós foi ~ Bares preferidos pelo mundo ~
Confesso que eu tentei pensar em um roteiro bacana de bares que já visitei que adoraria que todos conhecessem. Poderia dar dicas de lugares descolados, com drinks deliciosos e em vários lugares do mundo (ai que menina viajada). Mas a verdade é que esses não seriam meus bares preferidos. Porque o que eu gosto mesmo é de tomar cerveja aguada (sim, adoro Brahma) com os amigos, em uma mesinha na rua de preferência. E hoje em dia eu sou daquele tipo de pessoa que só respondo a convites para bares com a mesma frase: “por que a gente não compra um vinho e toma aqui em casa?”. Hahaha. Descobri, tentando escrever esse post, que eu amo sair para comer, mas para beber tenho poucos critérios de escolha. Só precisa de algum conforto e uma amizade disposta a tagarelar.

Mas para não burlar tanto assim esse nosso primeiro tema do desafio, eu escolhi dois bares das minhas três cidades do coração e onde eu pude, de fato, criar pequenas rotinas: Recife, São Paulo e Paris. E, olha, já vou avisando que as preferências só têm como critério o meu afeto, nada científico ou que envolva a temperatura do chopp ou a equação entre o gin e a água tônica, ok?

 

Derbilhar, Recife

É, não dava para começar essa lista sem falar dele. Nunca indicaria para amigos que estão visitando o Recife. Aliás, se você não conhece, não vá, talvez nossa amizade termine. A música vai estar muito alta, vai tocar Evidências e você vai brigar com o dono do bar por uma saideira de graça. Por outro lado, o queijinho empanado vai estar incrível, você vai acreditar tanto que é sua casa que vai poder ir quase de pijama e ainda vai terminar a noite implorando pela décima saideira ao dono do bar. O Derbilhar é assim: parece nosso quintal e tem todas as frituras que um bar precisa. Não sei por qual motivo, mas virou um ponto de encontro dos amigos, por ser um local central, sem muita chance de dar errado, mas que também não tem nenhuma pretensão. Pra quem gosta de sinuca, lá tem duas mesas, que eu nunca utilizei. Recentemente também colocaram uma jukebox que tem a música mais alta do que gostaríamos, mas que é democrática e a gente acaba achando que é um karaokê e canta junto. Pra quem insistir em conhecer, eu recomendo o já citado queijinho empanado, o bolinho de feijão recheado com couve e os pasteis sortidos. E, por favor, fique até a saideira, vai valer a pena.

 

Ramón, Recife

Custei para achar um segundo bar que fosse sinceramente de coração lá no Recife. O Ramón levou a melhor porque tem tudo que eu gosto em um bar: cerveja de 600ml (porque não me venha com bar que só tem long neck, isso é falta de respeito), drinks pra quando bate aquela vontade e comida saborosa. O bar fica na Zona Sul, lá no fim de Boa Viagem, e tem um clima bem descontraído. Tem um albergue no andar de cima e é administrado por argentinos, então é legal para conhecer gente nova na cidade e tem uma decoração bem colorida, com bandeiras de vários lugares e mesas e cadeiras de ferro. A melhor pedida, na minha opinião, é o tradicional choripán, o ”hot dog” porteño. Consiste em um sanduíche em pão francês, linguiça toscana, uma maionese caseira indescritível, chimichuri, cebola caramelizada e alface. Também existe a versão vegetariana para quem preferir. Se estiver com a galere, vale também pedir a pizza. Lembra aquela pizza tradicional mexicana, com a massa beem fininha e crocante. (Jesus amado, vocês percebem como eu faço lista dos bares, mas só cito as comidas? Hahaha). Maas, além de ter Quilmes, Heineken e outras cervejas, o Ramón também tem bons drinks, o que nem sempre é fácil de se encontrar em bares mais simplinhos! Destaque para um que se chama Good Vibes, que eu não lembro o que leva, mas é sensacional. Hahahah.

 

Dona Teresa, SP

Acho que o Dona Tereza é o ”meu barzinho” de São Paulo. Apesar de não frequentar tanto assim (por motivos de ~eu não saio de casa ~ mesmo), gosto do clima também um pouco desleixado que ele tem. Também meio escurinho, com muitas cores, toalhas de chita e muitas flores. Vale a pena explorar o cardápio de petiscos, que é bem completinho,  com empanadas, costelinha com batatas rústicas, caponata de berinjela, entre outras delícias. Um dos pontos fortes é a boa música do lugar, sempre no estilo indie, rock, underground. Eles também têm uma boa carta de cachacinhas, para aqueles dias mais frios.

 

Litrão, SP
Seria uma incoerência de minha parte não citar o Litrão. O nome dele nem é esse, parece-me que se chama Orange Point, mas vende cerveja de 1 litro a um preço aceitável e conquistou o coração de todos os pernambucanos erradicados em São Paulo. Fica em uma esquina da Consolação e é um exemplar clássico dos botecos paulistanos. Parede de azulejo, mesinhas na calçada, bandeja de ”salgados” duvidosos… Tenho uma certa fascinação por esse tipo de empreendimento que encontramos em cada esquina aqui na cidade. Eles são o auge da versatilidade. De manhã é possível tomar um café com leite em copo americano acompanhando um pão na chapa. Já no almoço tem sempre um PF responsa, com aquele feijão pálido porém delicioso, arroz, batatinha, salada e a famosa “mistura” (que é como os paulistas chamam a porção de proteína da refeição, creia). E à noite, ah delícia, a gente bebe aquela Serra Malte geladinha com uma porção de amendoim torrado. É simples, é barato, é a céu aberto, é ouvindo os carros passando loucamente. É assim que você se apaixona aos poucos pela cidade.

 

Piano Vache, Paris

 

 image
Morei em Paris em 2011 e muita coisa deve ter mudado. Mas o Piano Vache parece continuar lá, igualzinho como eu deixei. Lindo, aconchegante e descolado. Bem pertinho do Pantheon e numa ruazinha meio escondida, o Piano Vache é um bar bem parisiense, em que você pede sua bebida no balcão e se espreme para se acomodar em algum lugar. Quem passa por fora não dá nada por ele. Janelão de vidro, mesinhas, balcão. Mas aí você começa a entrar, entrar e se depara com uma sala enorme para os padrões parisienses, com sofás, cadeirões, móveis desencontrados e as paredes cheias de fotos 3×4 dos visitantes e pôsteres. A pedida é tomar a bière pression, que é o nosso querido chopp, ou uma taça de vinho da casa. O mais delicioso é sair de lá com um pouco de brisa na cachola e ir andando pelas ruas do Quartier Latin tentando decidir se pega um ônibus noturno ou uma bike para voltar para casa, mas se importando muito pouco com o vento gelado e se encantando bastante com cada esquina do bairro.

 

The Wall, Paris

 

Beber em Paris é caro e, na época em que morei lá, um pint de chopp com 500ml custava em média 5 ou 6 euros. Por isso, o The Wall salvou várias de nossas noites e também nossas contas bancárias por ter o pint a 3 euros. O bar é bem pequeno e ainda mais apertado que o Piano Vache, mas com sorte você consegue uma mesa nos fundos, que fica numa salinha mais separada do balcão. Acredito que pelo nome deu pra perceber o estilo: lá só toca rock BOM! A decoração é bem simples, mas cada parede tem uma pintura de uma capa de disco de Pink Floyd. Além de ter o chopp ”baratinho”, o The Wall também tinha um serviço um pouco mais diferenciado, com garçons que de fato se identificavam e curtiam trabalhar ali, o que é uma raridade na França, convenhamos. Várias vezes a gente se aproveitava da simpatia para pedir os chopps com xarope e eles nem cobravam a mais. (Sim, na França existe esse hábito de colocar xarope na cerveja e parece ser estranho, mas é delicioso)

 

Nos bares de Paris eu não costumava comer, mas para não perder o espírito gordinho, vale lembrar que a gente sempre terminava as noites do The Wall no Au P’tit Grec. Uma casinha de crepe do outro lado da praça, que servia o melhor crepe de banana com nutella que eu já comi até hoje.

 

Sessão saudades: Del Mito

 

Acho que o finado DelMito merece um lugar de honra nesta lista, pois toda vez que estou em Recife e tento pensar em bares, ele me vem à cabeça. Que saudades do chopp a 3,50, da croqueta de costela, do churros com doce leite, dos montaditos. ❤ Suspiros.

One thought on “é pra comer ou pra beber?

  1. “…por que é tão difícil enfrentar o próprio espelho”? Ô, Julia, eu penso que seja por causa da ditadura da “beleza anoréxica”, dessa nossa cultura esquizofrênica da magreza. Acho tudo isso muito chato.
    Só 3% das mulheres no mundo são top models, as demais são de todo jeito, o que eu acho fantástico! Todas são “belas, recatadas e do lugar que quiserem ser”, isso é que faz do mundo um lugar cheio de gente linda. Todo mundo quer ser saudável. É justo, muito justo. Mas sem as imposições de padrões.
    Claro que estamos em outros tempos, mas repare nas mulheres da Renascença, nas mulheres de Botero (devia ser o “padrão” da época?), será que sofriam desse dilema também?
    Além de interessante, seu post vai ajudar um bocado de gente a se compreender e, a aprender como ser e comer.
    Mas devemos nos educar quanto à alimentação, comer de três em três horas – mesmo sem fome, uma barrinha de cereal, uma fruta – ajuda muito.
    E viva o abacate! Como nas saladas, no café da manhã, na guaca mole, i love abacate, gorduroso ou não!
    Quanto ao copo: pode encher, de uísque, de vinho,de vodka ou de cerveja, depois vou correr na Jaqueira e tá tudo certo.
    “E a última lição é a mais deliciosa: bicha, não pira! A vida é curta demais pra que a gente não se jogue”! É um excelente mantra!
    🙂

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