o que eu aprendi fazendo dieta

Eu faço dieta desde os 12 anos de idade. “Nossa, mas você é tão magrinha, deixa de noia”. E eu escuto essa frase toda semana, desde então.

Só quem tem a genética desprivilegiada e acha que comer tá no top 3 de melhores coisas pra fazer no mundo sabe a necessidade de controlar o peso e de economizar nas garfadas.

Durante quase 15 anos, então, eu vivo de ”dieta”. E seria mentira dizer que eu não sofri por isso e que eu sempre achei muito tranquilo contabilizar o que como 24 horas por dia. Durante boa parte da vida, eu fiz uma coisa que se chama restrição calórica (ou dieta dos pontos ou vigilantes do peso), que consiste em comer pouco mesmo, calcular as calorias e abrir umas exceções vez por outra. Deu certo por bastante tempo, até que um dia cansei.

A primeira coisa que eu aprendi fazendo dieta é que se eu nunca iria ser feliz se eu continuasse querendo ”pesar pouco” e ”não ter quadril”. A gente fala muito em aceitar o próprio corpo, em se sentir empoderada. Mas por que é tão difícil enfrentar o próprio espelho?

A segunda coisa que eu aprendi, ainda contando calorias, é que sempre vai ter alguém pra te encher o saco. Nossa mas você só vai comer isso? Você tá muito chata nessa dieta, nem come mais bolo. Quantos pontos tem isso aqui? Mas feijão pode? E cerveja?

A trancos e barrancos e sobrevivendo a alguns ataques de compulsão alimentar (de verdade, de comer pão com leite condensado), você vai aprendendo um pouco mais. E acho que a terceira coisa que eu aprendi foi a comer bem e ter prazer nisso. Por causa das dietas, eu sempre amei brócolis, quiabo, shitake, rúcula e até chuchu. Sempre soube o valor de um bom jerimum e apreciei queridas berinjelas. Meu problema nunca foi qualidade, mas quantidade.

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quero agora

Mas aí, ainda assim, eu não era completamente feliz com o estilo de vida que eu tinha escolhido. Porque ser saudável com um bando de amigo da farrista é difícil. Quando me mudei para São Paulo, engordei aqueles clássicos três quilinhos que incomodam pra caramba quem tem os braço meio roliço e a cabeça paranóica e comecei a pesquisar sobre alimentação. E cometi o erro de começar a seguir musa fitness no instagram.

Fazia suco verde dois dias e comprava kit kat nos outros quatro. No quinto dia eu me odiava, xingava. Aí passava e eu voltava para ”dieta”. A saga para perder os danados dos quilos continuou e eu comecei a ter contato com pessoas e nutricionistas que seguiam as linhas tipo ”low carb”, ”paleo” e ”comida de verdade”. É bem mais complexo do que eu vou explicar aqui, mas basicamente são pessoas que acreditam que você não precisa seguir tantas regras. É só comer quando tem fome, respeitando o corpo e evitando, em 90% dos casos, as coisas que vêm dentro de pacotes. Pois elas são produtos alimentícios e não comida.

A partir daí, mesmo com as dificuldades, descobri a quarta maravilha aprendida com a arte de fazer dietas: cozinhar. E não por acaso, hoje estou lendo um livro que todo mundo precisa ler, de Michael Pollan, chamado “Cozinhar”. Já na introdução ele joga a real mostrando como a gente tem se afastado de uma coisa tão primitiva quanto preparar nosso próprio sustento. “Quando já não dispusermos de nenhum conhecimento pessoal direto como essas criações maravilhosas são feitas, a comida ficará abstraída de seus vários contextos: do trabalho das mãos humanas, do mundo natural das plantas e animais, da imaginação, da cultura e da comunidade. E de fato a comida já está a caminho de se transformar nesse éter da abstração, em meio de se tornar mero combustível ou pura imagem” , diz ele. TRÁ. Porque é isso, não tem nada tão delicioso quanto transformar os alimentos, ter poder sobre os processos da cozinha e se ver transformada em meio aos cheiros de temperos. E quem sabe um dia eu até não planto os meus próprios cheirinhos?

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Bela sabe das coisas

É isso que tenho aprendido com esse estilo de vida, com essa “dieta” que não é mais tão sofrida e com esse modo de pensar a minha relação com comida. E aos poucos eu troquei o pão e a tapioca pelo ovo com macaxeira, o feijão com arroz por peixe, cogumelos e salada e as barrinhas integrais por abacate. Foi depois de quase 15 anos ”fazendo dieta” que eu aprendi a ser feliz com certas escolhas, com meu corpo e a não ligar mais pras pessoas chatas que aparecem só pra criticar teu estilo de vida. Perdi os danados dos três quilos, ainda como cerveja, chocolate e até bolo quando dá na telha, e ainda aprendi aprendi as outras 6 coisas que faltam pra finalizar esse post de top 10:

Não precisa comer nada light, diet ou que traga algum rótulo enganosinho desses na embalagem. Geralmente esses produtos são cheios de substâncias que nossos corpos não foram programados para entender ou processar. Não precisa gastar milhões nas lojas de alimento natural ou de suplementos, é só ir na feira, gente! É só comer comida de verdade. Sem glutamato monossódico, sem nitrito, sem pacote.

Só precisa comer quando tem fome. Essa foi uma das mais difíceis de processar. Como assim só quando tem fome? Eu tenho fome o tempo todo! Sim, tinha, quando eu comia tudo light e de pouquinho. Agora, devidamente bem alimentada nas principais refeições eu até esqueço de comer!

Não tenha medo de gordura. Quando ela já é naturalmente dos alimentos, é porque a natureza quis e, então, é maravilhoso. Não tem pra que ter medo de abacate, coco, da pele do frango e, pasmem, do bacon. (A não ser quando ele é industrializado)

Errar é possível e a exceção só existe pro causa da regra. E é por isso aqui que Nutella e vinho PODE! Porque você não está mais de dieta, quirida, esse é seu estilo de vida . Você vai comer bem na maioria do tempo, mas vai se permitir a comer a umas tranqueira quando lhe convier.
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pó encher o copo, moço

E a última lição é a mais deliciosa: bicha, não pira! A vida é curta demais pra que a gente não se jogue! Mas que tal se jogar num pote de macarrão de abobrinha com molho de tomate caseiro dessa vez? ❤

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