desculpe o transtorno, preciso falar de gregório

Foi a primeira coisa que li nesta segunda de  manhã. Mesmo nutrindo um certo abuso de Gregório Duvivier, por razões que não cabem aqui, resolvi clicar no link.

Logo que li fiquei ‘’eita, que lindo’’. Até compartilhei em um grupo de amigas, achando que eu tinha evoluído do bode que eu peguei do rapaz. Compartilhei porque me identifiquei. Porque eu sinto isso por ex-namorados, ex-ficantes, ex-qualquer-coisa-não-nominada. Eu nutro carinho e admiração por quem passou pela minha vida (algumas, né? Outras a gente acha que podia ter ido pro mundo invertido há muito tempo).

E algumas vezes eu gosto de falar desse carinho. Falo para amigos, falo para mim. Escrevo para mim. Para lembrar, para sorrir sozinha, para chorar baixinho. Eu gosto de cuidar das coisas boas que sinto pelas pessoas. Gosto de lembrar do que compartilhamos e por que nos amamos, nos gostamos e nos enroscamos.

Quando acho que é coerente, envio o que escrevi. Mando email, mando sms, whatsapp, áudio ou telefono bêbada mesmo. Quem nunca?

Às vezes esses sentimentos afloram mais, aí eu posto uma música no site feicer, posto uns poemas, umas foto de flor com indireta na legenda.

Mas toda a história, todo o contexto, todo o afeto continua no privado. Continua nosso. Porque o que vivemos a dois (ou a três, quatro, vinte) é só nosso. Não cabe a mais ninguém. É íntimo e é muito gostoso saber que só nós, no mundo inteiro, sabemos dos nossos passos.

Daí que, ao longo do dia, esse texto de Gregório começou a me incomodar. Comecei a sentir um embrulho com tantos compartilhamentos. Nós estamos precisando de amor, isso é fato. Acaba sendo natural tanta gente se encantar com uma declaração pública de afeto. Em tempos de joguinhos e de esperar para responder mensagem, abrir o coração publicamente virou ato heroico. Mas, gente, será que isso foi abrir o coração, mesmo?

E não entro aqui na questão de que o texto foi feito para divulgar o filme. Pergunto genuinamente: Gregório, cara pálida, o que tu queria com essa coluna? Pagar de gatão expondo a tua relação? Expor intimidades e coisas sentidas a dois para mostrar que é um homem sensível, fofinho, por favor me amem?

Fazer textão dizendo que está com saudade, que sente falta, que o amor foi lindo é fácil. Todo mundo faz. E faz com palavras ainda mais bonitas. Mas a gente manda para quem importa, para quem deve saber. Claro que coisas lindas já foram produzidas por pessoas que passavam por bads, fossas, que estavam com o coração partido. Mas tem um jeito mais bonito de fazer isso, sem ser explícito. Alá que bonito aquele CD de Otto que ele fala que nasceram flores num canto de um quarto escuro, mas que são flores de um longo inverno. Ou quando Caetano escreveu ”não, nada irá nesse mundo apagar o desenho que temos aqui”. É poesia, não é textão da boca para fora, entende? Não é falar de ter um filho para ”levar” a mulher pro resto da vida. Alou?

E outra: a gente não precisa de homem nenhum nos colocando num pedestal publicamente. É chato.

Desculpem-me se estou sendo insensível, injusta ou amarga. Mas precisava falar sobre Gregório e sobre essa ilusão de romantismo que a gente anda vivendo.

Amor é mais, poxa. Porque quando o sentimento é de verdade, a gente liga no domingo mesmo para dizer. É urgente e não dá para esperar a tiragem do jornal da segunda-feira.

rachel

 

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