tá tudo bem

São dez horas da noite do domingo.

Eu ainda estou no trabalho. Ainda tenho mais duas horas pela frente. Tá meio frio. E penso que a segunda-feira promete ser um dia longo, assim como toda a semana.

O celular acende. A gente quer que seja uma resposta para aquela mensagem que mandamos de manhã. Mas não é. É minha mãe.
”Oi, tudo bem?”
Normalmente, eu pegaria o celular de volta e apenas responderia:
“Oi, mama, tudo sim.”
Mas não sei. Dessa vez a pergunta bateu diferente. Não consegui ser automática.
Pode ser o domingo. Pode ser a hora. Pode ser a quantidade de textos meio auto-ajuda que eu li no dia. Pode ser a meia barra de chocolate que eu comi.
A verdade é que eu não não sei, mãe. Não sei se está tudo bem.
Eu acho que está. Eu tenho andado bem positiva. Sorrindo à toa, aliás.
E à toa mesmo.
Ando me surpreendendo com a minha capacidade de admirar o mundo e de amar o que acontece a minha volta. Tenho parado no meio do caminho para ver uma flor mais de perto, me perco olhando pro céu e até agradeço por coisas miúdas todo dia antes de ir dormir.
O hit da gratidão me pegou. E tem aquela outra palavra da moda rolando por aqui também. Resiliência né? A capacidade lidar com problemas, de superar, de voltar ao estado de alegria após a tristeza.
Descobri que tenho isso aí. Ando felizinha, me desculpem. Até assumi um novo bordão que repito o dia inteiro. Vai ficar tudo bem.
Porque vai. E mesmo se não ficar, tá tudo bem também. Entende?
Mas, então, por que eu não consegui responder a essa mensagem tão rápido quanto eu responderia?
Continuo não sabendo, mainha. Porque mesmo felizinha, resiliente, cheia de gratidão e com uma boa bagagem de auto-ajuda, às vezes a gente fica mais ”down”.
Fica meio ”coisada”. Encontrando umas tristezinhas pra roer, pequenos problemas para resolver. E, sabe de uma coisa? Tá tudo bem. Porque não estar tão bem assim também é normal.
Já já passa. A segunda-feira chega, uma flor nova aparece no caminho para ser apreciada. A gente recebe uma mensagem inesperada no meio da noite. A gente descobre uma nova casa com janelas bonitas no quarteirão do metrô. A gente vai ter um almoço legal com colegas de trabalho. A manhã vai chegar e a gente vai se pegar agradecendo pelo cheirinho do café ficando pronto no fogão.
Mas hoje é domingo, tá tarde e tá tudo bem não estar tão bem.

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