correspondências

Clélia,

Gosto de saber que você ainda pensa em mim, em nós e naquele tango mal tocado que fingimos saber dançar. Às vezes, quando estou fumando, também me vêm as memórias do que vivemos. Elas logo se dissipam, como a fumaça que sopro pela janela.

Já pensei em te procurar. Responder tuas mensagens e, finamente, me deixar levar pelo abraço que você insiste em tirar de mim.

Não seria justo. Teus olhos já cultivam calma e eu não gostaria de pintá-los mais uma vez de umidade.

Te confesso uma coisa: naquele dia, fui embora querendo ficar. Mas tu sabes que não acredito em sentimentos capazes de se dividir em dois desse jeito. Pela dúvida, preferi dizer adeus. E é ainda por ela que mantenho a minha decisão.

Antes de terminar, vagueio o olhar até aquele ponto em que se misturam as estrelas e as vontades. E me despeço, de novo, deste hábito de amar.

Um beijo, te cuida.

Marta

IMG_7329

frederic forest – pinterest

One thought on “correspondências

  1. V. says:

    Particularmente, adoro esse tema: correspondências.

    Não sei bem explicar a razão. Gosto. Me toca profundamente. E quando é dessa natureza (não quero categorizar sentimentos), amor, ruptura, saudade, aí é que eu gosto mesmo.

    Algumas vezes dizer adeus, requer coragem. Algumas vezes dizer adeus é a maior demonstração de amor.

    P.S.

    Queremos seu livro!

    🙂

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