faz frio

Numa praça em São Paulo, nas primeiras horas da manhã, a água bate na pele como fagulha de tiro. Dói e espanta. A noite foi fria, a manhã segue gelada. E funcionários da prefeitura obedecem a ordem de acordar as pessoas que ali dormiam com disparos de falta de humanidade.

Em outro local, outras pessoas que têm o céu como teto se aglomeram pra tentar se aquecer. Ouvi no rádio a moça dizer que é mais difícil moradores de rua que estão em grupo sucumbirem ao inverno. Trocam cobertas, oferecem goles do que bebem e aprendem a se esquentar. Sozinhos, morrem. Juntos, compartilham da humanidade que carregam mesmo sem saber.

De frio e de tiro, matamos e morremos. Mas quando somos coletivos e partilhamos do existir, sobrevivemos às mais extremas temperaturas. E com sorte, criamos coisas lindas no caminho.

 

(postado no facebook em 19 de julho de 2017)

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s